As más-oclusões freqüentemente são originárias de hábitos orofaciais nocivos, atribuídos a funções alteradas como por exemplo a sucção do polegar entre outras. Os desvios no desenvolvimento do sistema estomatognático podem-se instalar desde a época de bebê resultando em más-oclusões a princípio suaves e não classificadas como anormal, mas sua combinação e persistência evoluem para um problema clínico que devemos solucionar recuperando a integridade e o equilíbrio.
Os hábitos bucais deletérios alteram as funções exercidas pela musculatura perioral e intrabucal, contribuindo negativamente para o desenvolvimento normal da oclusão. A freqüência, a duração e a intensidade do hábito (tríade de Graber) possuem influência marcante sobre a má-oclusão. A velocidade e a extensão do desequilíbrio neuromuscular são agravadas quando existe uma predisposição genética do indivíduo. A persistência dos hábitos bucais deletérios durante o processo de crescimento e desenvolvimento da criança agrava-se de modo que ao chegar numa idade mais avançada haverá mais dificuldades no tratamento, pois além da má-oclusão instalada, estarão alteradas a respiração e a deglutição, entre outras funções, interferindo sobremaneira no tratamento.
Sabemos que os hábitos bucais praticados até por volta de quatro anos de idade não devem sofrer interferência muito severa devido a imaturidade emocional desta fase. Há muita cobrança na escola, dos pais, dos amiguinhos, quando uma severa má-oclusão se instala. Isso aflige a criança que passa a se isolar do convívio comum. Por isso entendemos que para que um tratamento de má-oclusão causada por hábito bucal deletério tenha sucesso é fundamental que a criança participe e se sinta envolvida em todo o processo, desde as primeiras consultas, e esteja realmente empenhada em abandonar o hábito. Obtendo sucesso no tratamento de remoção do hábito e reposicionamento das estruturas afetadas, o profissional poderá acompanhar o desenvolvimento das arcadas que deverá seguir um curso de normalidade se não houver mais nenhuma interferência indesejável.
* Especialista em Dentística e Periodontia; Mestre em Dentística pela USP - Bauru e doutora em Histologia pela Escola Paulista de Medicina - Unifesp.